OPINIÃO: GAGA ESVAZIOU O SENTIDO DE SER POP NA NOITE DO SUPER BOWL

Postado por Dayw Vilar em 06/02/2017, 17:09:12
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Crédito: Darron Cummings/AP

Há quem grite: “Lady Gaga tá viva!”. “Ela voltou pro pop”. Mas muita coisa me inquietou em todos os 13 minutos do precioso halftime show do Super Bowl na noite do último domingo (5).

Primeiro, para entender a cena, precisamos ter em mente:  um bom começo, antes de tudo, é uma olhada o cenário civil e político instável  na democracia nos Estados Unidos com a subida de Trump à Casa Branca. Menos de um mês de mandato e o republicano já não tem apoio incondicional do seu partido, fala mais abobrinha no Twitter que adolescente birrento, já ameaça direitos de pessoas LGBTQ*s, direitos femininos, atacou ainda vários líderes e etnias bloqueando a entrada de imigrantes no país num ataque claro os povos mulçumanos. É o começo pra uma hecatombe! E segundo, o Super Bowl é o colchão macio e fofinho onde apenas bilhões de espectadores do mundo, incluindo toda a parcela conservadora que elegeu Trump, param para ver TV.

Uma tela branca perfeita pra Gaga, que é reconhecida pela ousadia, dar o recado que uma massiva maioria (a mesma que teve votos a mais que Trump e não elegeu Hilary, a mesma que está nas ruas de várias cidades e na porta dos principais aeroportos dos EUA), esperava. Pop é agressivo, é político, é pra deixar a gente nervoso e eufórico.

Vi em alguns portais de música que a mensagem vinha por trás. Pra mim e pra muita gente que sabe ver as coisas, foi nítida. Carinho no conservadorismo e não marcação de posição, há quem diga que isso seja fugir da raia. Gaga começa cantando God Bless America, o que melhor poderia abrir o show senão uma lembrança de religião atrelada à política? Lindo o fundo com mais de cem drones formando a bandeira do seu país.

Pulo magistral suspensa nos cabos de aço do topo do estádio até o palco no meio do campo e e metralhadora de hits começa: Poker Face, Born This Way, Telephone, Just Dance, Million Reasons e Bad Romance. Tecnicamente e musicalmente perfeita. Mas se música fosse só isso, nada teria sentido. Eu cantei todas, são excelentes. Mas fiquei esperando o tchan. A coisa que me faria gritar um EITA!

Quem não lembra o caos que Beyoncé provocou na cota racista quando levou elementos como as Panteras Negras, Malcom X e os versos agressivos de Formation ano passado? Num passado mais distante, o que foi o disco American Life e o clipe censurado pela Casa Branca quando no meio da Guerra do Iraque Madonna colocou a cara de G.W. Bush? Isso é pop!

Em Joanne, novamente, ela arrasou na técnica. Mas era um álbum branco, de uma garota rica, loira, vestida de rosa, tocando country e rock, tímida e com um terço na mão, não poderíamos esperar revolução. Seu posicionamento ali já tinha sido um recado. A preocupação com vendas e não com a arte que tanto defende se confrontam muito.

A fanbase littlemonster precisa refletir, artista representa mais do que sua música. E não é um ato de imposição por postura, isso deveria ser inerente à sua existência e missão de provocar sentidos.

Mais uma vez, NÃO EXISTE PROTESTO NÃO ÓBVIO E DISCRETO. Como pontuou o colega jornalista Schneider Carpegianni:  “protesto tem de ter confusão, gente passando mal, correndo, desmaio, grito e cartaz raivoso. Sutileza e revolução não combinam”.

Eu me senti convidado para um show de boate, uma aura meio Las Vegas, coisa saudosista dos valores tradicionais discretos e fora do meio. Desapontado, mas nunca surpreso.

 

CRÍTICA: La La Land explora a música na essência da reflexão

Postado por Dayw Vilar em 31/01/2017, 20:16:27

Eu sei que este não é um blog de cinema e nem eu sou a pessoa mais gabaritada para falar da sétima arte, mas, há casos e casos. Precisamos falar de La La Land que já tem o peso de dois Globos de Ouro e 14 indicações ao Oscar.

O novo longa de Damien Chazele, mesmo diretor de Whiplash, é uma odé ao espírito de Los Angeles, na Califórnia. Tecnicamente e de forma breve, o filme traz à tona a sede artística envolvida na esperança. Todo o glamour que envolve a produção teatral e musical já tá batido, todo mundo sabe, ainda mais quando usa o combo boy meets girl num enredo de romance. Chazelle foi além do ordinário e esperado. É uma questão de treinar o olhar.

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É mais um filme de romance de personagens nos bastidores do entretenimento? É. Mas é mais um daqueles musicais cheios de musiquinha no piano e tons doces? É também. Ah, mas o combo Emma Stone e Ryan Gosling é muito casal americano perfeitinho? Sim, é sim. Mas, o que tem de diferente?

Em termos de cinema, a atuação é sensacional e verdadeira. Permitam-me um pouco de filosofia para o impacto que o filme trouxe pra mim. É uma entrega simples de amor hollywoodiano, a intensa busca de sucessos numa narrativa simples, emotiva, com apelo estético e recursos clássicos que te pega pela intensidade e pela verdade. A certa altura, todo musicista e todo artista deve ter vivido os altos e baixos dos protagonistas e viveram amores intensos nos entremeios e entrelinhas. O roteiro doce tipo de contos de fadas é bem dosado com as doses amargas de vida real. É o doce encontro amoroso que versa pelos desencontros, desatinos e desgastes. Chazelle olhou além do clássico e explorou a sensibilidade interpretativa ao máximo.

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Os desencontros e diferentes horizontes, amplos e hora tão curtos, nos prendem para entender que contos de fada podem existir em flashes e que doses de realidade devem ser aplicadas ao cinema de forma dura e não fantasiosa. Pra chamar, pra fixar, pra impressionar. A reunião de rotinas cinematográficas clássicas dessa vez não caiu no clichê.

Os chatos que me perdoem, mas musicais enchem a alma. Que cena linda e que forma querida de abrir um filme: aliviar a tensão de um senhor congestionamento debaixo de um sol escaldante: cantando. Confesso que o filme ia fadar ao erro ali. Ainda bem que errei na primeira impressão. Esteticamente, foge às grandes produções com efeitos de computação gráfica ou densidade na produção de sentidos e construção de enredos. La La Land vem como uma oportunidade pra enxergar o belo, o utópico, a alegria, a tristeza, a solidão, o desespero, a solidão e todas as nuances de uma vida jovem que batalha por sonhos e por amor.

“E se”. “Deveria ter sido”. Especialmente se tratando de um combo clichezudo de produção cinematográfica e com apelo musical romântico para potencializar, as construções em cima do casal protagonista projetam bastante o emaranhado de incertezas que envolve o estar com alguém, ou alguéms. O não estar tá alí também. É a melodia de inconstâncias e de insegurança que movimenta a roda e faz a vida ter ciclos.

Olha, Justin Hurwitz, que assina toda a produção musical da obra, pode não levar os dois Oscars a que foi indicado e repetir o feito dos dois Globos de Ouro do começo desse mês, mas ganhou o público e se sagrou um brilhante compositor. 31 anos, três filmes bem aclamados, podemos falar que ele é uma das melhores revelações na composição de cinema da indústria estadunidense sem medo de errar.

Das duas bolachas que compõem a trilha de La La Land, o primeiro tem letras de Hurwitz mais Benj Pasek e Justin Paul. Destaque para City of Stars, que me prendeu de uma forma absurda, que melodia sensacional! Muito jazz, todo mundo a esta altura já entendeu só de olhar o cartaz que não há muito espaço pra outros ritmos nesse filme. Não há espaço para o brilho dos vocais de Emma ou de Ryan. Novamente Hurwitz brilha assumindo a orquestragem das canções. Tem muita referência, um perfume de adoração por Michel Legrand em “Os guarda-chuvas do amor” é facilmente percebido por ouvidos mais sensíveis. A outra bolacha tem 29 faixas e é composta dos fundos repetidos que embalam as cenas não cantadas mais os esquetes de personagens coadjuvantes.

Volto a City of Stars, que realmente dita o ritmo do filme e amarra os sentidos. Numa cidade de sonhos, o sol brilha pra todos mas não os spotlights. A intensa diferença entre os protagonistas revela muito da modernidade dos relacionamentos e a dificuldade de se entender nelas. Os diversos e paralelos olhares sobre carreira, sobre o próprio estar com alguém, a conquista diária, sobre como reagir ante a divergência de entendimentos e de caminhos.

La La Land e City of Stars chamam a gente pra entender a beleza no simples e a intensidade que permeia tudo isso. O universo de um encontro, o desanuvio de um até logo e o sentido de estar. Em algum momento do filme surge o verso “We are here for the mess we make” e nada fala melhor.

 

Zé da Flauta e Ave Sangria juntos no Descompasso e no Janeiro de Grandes Espetáculos

Postado por Descompasso em 27/01/2017, 16:20:34
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Nesta sexta, 27, o Teatro Luiz Mendonça recebe um grande encontro da música pernambucana. Será uma noite histórica com apresentações de Zé da Flauta, com show de lançamento de Psicoativo, e Ave Sangria. A programação faz parte do festival Janeiro de Grandes Espetáculos especialmente pensada para a música psicodélica pernambucana.
É uma noite que vai além da produção musical psicodélica. É um momento para celebrar amizade, parceria, renovação, resistência e muito mais. O Descompasso teve a sorte de receber Almir de Oliveira, da Ave Sangria, e Zé da Flauta para uma conversa cheia de causos e história de bastidores desta parceria que vem desde os anos 70.
Fica o convite para apertar o play! E fica o serviço completo para que você não perca este grande encontro.
Zé da Flauta e Ave Sangria
Quando: dia 27 de janeiro de 2017 (sexta-feira)
Horário: 21h
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Ingressos: R$ 80 e R$ 40

https://www.mixcloud.com/descom_passo/z%C3%A9-da-flauta-e-ave-sangria-juntos-no-descompasso-e-no-janeiro-de-grandes-espet%C3%A1culos/

5 motivos para se jogar no Wow Vegan Club por Cláudia Aires

Postado por Descompasso em 27/01/2017, 9:18:39
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Cláudia Aires/Arquivo Pessoal – Facebook

Sábado, 28, o Wow Vegan Club, conhecido como Iraq, abre suas portas para o som da cantora e compositora sorocabana Paula Cavalciuk, com show de lançamento de Morte & Vida. A apresentação faz parte do projeto Crime! que busca incentivar a apresentação de projetos autorais. Bem, se a dentendora do título de artista revelação da música em 2016 pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) não for motivo o suficiente para colocar o club na sua programação de sábado à noite, a produtora, publicitária e agitadora Cláudia Aires lista 5 motivos de ser frequentadora assídua do número 179 da Rua do Sossego.

“ARTE: Ir ao templo do underground e contracultura do Recife já é um grande motivo. Há 10 anos que a casa da Rua do Sossego é point obrigatório para artistas do Recife, do Brasil e do mundo; é o lugar onde se pode ver, nas suas paredes, de tempos em tempos, intervenções artísticas, exposições, performances e o que mais aparecer por lá.
MÚSICA: O som que você escuta por lá, não se escuta em lugar nenhum! Todas as vertentes – e subvertentes – do rock são executados, sempre com cuidado e olho atento do curador da casa, Evandro Sena, o dj Evandro Q?, que não é de deixar qualquer um tocar por lá.

Rieg no Wow Vegan Club

Rieg no Wow Vegan Club

GASTRONOMIA: De quarta a sábado a casa, que constantemente muda de nome, recebe diversos cozinheiros e suas criações. Atualmente, com o nome de Wow Vegan Club, abriga a cozinha do Vegan Roll que, como já diz o nome, é 100% vegan cruelty free.
SHOWS: Desde sua criação, a casa abriga shows de bandas autorais. Atualmente, o projeto Crime! acontece aos sábados. Sempre, antes da banda pisar no palco – que pode ser no quintal da casa ou no terraço da cozinha -, os visitantes podem escutar uma seleção de músicas especialmente selecionadas por vários iraquianos de destaque, em uma jukebox de fichas grátis!


CONFRARIA: O melhor do Iraq é o pertencimento; fazer amizade com os frequentadores e colaboradores da casa, acompanhado da cerveja gelada (vários rótulos) e o melhor papo do mundo em linha reta.”

Depois dessa, anota o serviço e boa festa!

Crime! apresenta:

Show de lançamento do disco Morte & Vida da cantora Paula Cavalciuk

+ DJs: Evandro Q? | Guilherme Gatis

Data: Sábado, 28 de janeiro

Horário: 21 horas

Ingressos: R$15,00 (antecipado) no site https://www.sympla.com.br/paula-cavalciuk-no-crime__113640  e R$20,00 (na hora)

Local: WoW Vegan Club (conhecido também como IRAQ)

Rua do Sossego, 179. Boa Vista.

Vocalista do Mombojó Felipe S abre a cabeça no primeiro disco solo

Postado por Descompasso em 25/01/2017, 12:30:15

“Eu senti vontade agora de fazer um disco só meu mas não sei exatamente o porquê (risos). Acho que estou num momento em que ainda me sinto jovem, mas já tenho uma bagagem pra me sentir seguro de fazer sozinho”. Assim, Felipe S começa a falar sobre o seu primeiro disco solo, depois de anos à frente da Mombojó e de outros projetos musicais como Maquinado e Trio Eterno.

Batizado de “Cabeça de Felipe”, o disco começou a ganhar vida em julho do ano passado, em meio à espera de uma turnê do Mombojó com a francesa Laetitia Sadier, do Stereolab, ainda sem data certa para ganhar a estrada. Felipe decidiu usar o estúdio que montou em casa e lá gravou 80% das dez faixas do álbum que foi lançado nesta segunda, 23, pelo selo Joia Moderna, do Dj Zé Pedro.

Felipe S/Divulgação

Felipe S/Divulgação

É um disco suave e malemolente musicalmente que causa uma vontade danada de ficar de boa tomando uma cerveja na praia. É um disco que traz também um pouco da visão de mundo do próprio Felipe, afinal, ele abriu a cabeça para compartilhar boas músicas com a gente que falam sobre otimisto, recomeço e, de certa forma, deste momento confuso do Brasil.

Sem patrocínio, o disco foi produzido com troca de trabalho com todo mundo que está participando. “Foram poucas participações e ninguém do mainstream. Em cada música tem no máximo 4 pessoas tocando. Este trabalho foi mixado por 8 pessoas diferentes: Homero basilio, Arthur Dossa, Arthur Joly, Missionário José, China, Rogério Samico, Iran Ribas e Rafael Bresciani”, conta Felipe.

Além deste time, “Cabeça de Felipe” conta com a participação especial de Leo Cavalcanti, Alessandra Leão, Sofia Freire, Márcio Oliveira, Rodrigo Samico e Ana Sartori. Para este trabalho, Felipe S conta também com colaborações preciosas na autoria de algumas músicas. Tibério Azul e Vitor Araújo são alguns desses colaboradores.

"Cabeça de Felipe" (Jóia Moderna, 2017)

“Cabeça de Felipe” (Joia Moderna, 2017)

A atriz Juliana Didone também. “A última música do disco é uma parceria minha e de Juliana. Uma música que gosto muito e saiu bem pelo acaso pois só encontrei pessoalmente duas vezes com ela e nem lembro como ela me mandou o texto da letra”. A capa do disco é uma belezura de litogravura feita pelo pai de Felipe, o artista plástico Maurício Silva.

 

Asas da América, a celebração do frevo de Carlos Fernando por Fábio Cabral

Postado por Descompasso em 17/01/2017, 18:45:02
Asas da América (1989): Lp (3)

Asas da América (1989): Lp (5)

Há exatos 50 anos, foi composto o frevo “Aquela rosa”, parceria de Geraldo Azevedo com Carlos Fernando. Esta foi a primeira música de cada um dos compositores; e mesmo com a inexperiência de ambos, a música foi vencedora da “I Feira Nordestina da Música Popular Brasileira”, realizada no Recife em 1967. A partir daí, a dupla não parou mais. Carlos Fernando continuou escrevendo frevos até sua morte, em 2013, aos 75 anos de idade.

Para apresentar sua produção de frevos ao grande público, Carlos Fernando iniciou, em 1979, uma série de LPs  intitulada “Asas da América”, que reuniu um time de craques da MPB, como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jackson do Pandeiro, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Fagner, Amelinha, Zé Ramalho, As Frenéticas, Moraes Moreira, Lenine, entre outros.

Antes de se aventurar nesse projeto; em 1975 seu também parceiro Alceu Valença, lançou pela Som Livre um compacto simples com os frevos “Pitomba Pitombeira” e “O Homem da Meia Noite”, ambos de autoria de Carlos Fernando.

Quando seus frevos começaram a tocar nas rádios, alguns puritanos do Recife começaram a criticá-lo dizendo que aquilo não era frevo, e sim rock, pelo uso de guitarras e outros instrumentos alienígenas ao nosso ritmo. Já outros diziam que o que ele fazia era frevo-baiano. E Carlos sempre de bom humor respondia que queria ver seu frevo em Nova Iorque.

Se ele viu seu frevo em Nova Iorque, eu não sei dizer, mas que o Brasil todo frevou ao som contagiante de “Banho de Cheiro”, gravada por Elba Ramalho, todo mundo sabe! Inclusive, Carlos comentava que a maior alegria que teve na vida foi ouvir seu frevo no “Rock in Rio” sendo cantado por mais de 300.000 pessoas.

Carlos Fernando e Fábio Cabral. Foto: Arquivo Pessoal de Fábio Cabral

Carlos Fernando e Fábio Cabral. Foto: Arquivo Pessoal de Fábio Cabral

Série Asas da América 

– Vol1 e 02 – CBS (Hoje Sony Music)
– Vol. 03 e 04 – Ariola
– Vol. 05 – RCA
– vol. 06 – Independente

* Fábio Cabral comanda a lendária Passa Disco, loja que dedicada à música pernambucana. 

100 Anos de Samba por André Mussalem

Postado por Descompasso em 16/01/2017, 14:30:49

Em 2017, o samba se apresentará como um senhor centenário, ainda cruzando avenidas e arregimentando multidões. Se parece um tanto estranho para nós que esse gênero musical só tenha cem anos, é porque, na verdade, o samba é bem mais antigo que isso. Nesse ano, comemoramos a data de lançamento da música “Pelo Telefone” , considerada como primeiro samba gravado no Brasil e no mundo.

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Foto: Gabriel Medeiros

“Pelo Telefone”, lançado em 20 de janeiro de 1917, é um samba de autoria coletiva, embora atribuído ao sambista Donga (Ernesto Joaquim Maria dos Santos), composto nas festas que aconteciam nas Casas das Tias Baianas, no Rio de Janeiro do final do século XIX. O assim considerado primeiro samba brasileiro é, portanto, o resultado da confluência de duas culturas importantes na formação do ethos brasileiro: a baiana, representada pela música sagrada do candomblé e dos sambas de roda do Recôncavo Baiano; e a carioca, representada pela música urbana da sede do Império, como o maxixe e o lundu. Daí vem a pergunta dicotômica feita tantas vezes ao longo das nossa história musical: o samba nasceu na Bahia ou no Rio de Janeiro?

 

Se considerarmos o samba na sua etimologia africana, o samba floresceu em todo território nacional sob a violência da escravidão. O conceito originário da palavra samba não é de um gênero musical, mas de uma festa, em que o corpo era plenamente utilizado, contrastando com as limitações físicas do regime escravista. Aos poucos, na passagem do século XIX para o século XX, a palavra “samba” deixou de ser utilizada apenas como designativo de festa e passou a nomear o gênero musical surgido no Rio de Janeiro e que seria exportado para todo o país a partir do advento da Rádio Nacional.

Mas na sua acepção original, o samba é do Maranhão, de Minas Gerais, do Espírito Santo e também da Bahia e do Rio de Janeiro. Em qualquer lugar que tenha havido escravidão no Brasil, houve o samba como manifestação popular.

Curiosamente, o primeiro lugar em que a palavra “samba” foi registrada como expressão musical foi em Pernambuco, no jornal “O Carapuceiro”, em 03 de fevereiro de 1838. Está lá uma reclamação pública do Frei Miguel do Sacramento Lopes contra um “samba-de-almocreve”, que muito provavelmente era um festejo musical de escravos. Nessa acepção, a palavra samba toma o seu designativo mais ancestral que sobrevive ainda no interior do Estado: sambadas, sambas-coco, sambas de latada são reminiscências do étimo africano, anteriores à formatação do samba carioca como gênero musical brasileiro.

Caso fosse utilizado o mesmo marco temporal que usamos para fazer a cronologia do frevo, o samba estaria fazendo 179 anos e teria nascido, pelo menos formalmente, em Pernambuco.

Datas, lugares, séculos, nada disso realmente importa. O samba é atemporal, não conhece restrições ou limitações geográficas; e com cem, duzentos ou trezentos anos, está mais vivo do que nunca. Na Bahia, no Rio, ou onde o mar se arrebenta.

André Mussalem é cantor, compositor e apaixonado pelo samba.

Lupicínio Rodrigues inspira novo disco de Gal Costa

Postado por Descompasso em 10/01/2017, 15:15:49
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Gal Costa/Divulgação

Inspirado nas obras do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914 – 1974), Gal Costa entra em estúdio em fevereiro deste ano para gravar o seu mais novo álbum, sucessor de “Estratosférica” (2015). Com direção artística de Marcus Preto e produção dividida entre Pupilo e Silva, o disco será calcado no show de Gal batizado de “Ela disse-me assim – Canções de Lupicínio Rodrigues”, que viajou por cinco cidades brasileiras em 2015.

 

 

 

Um natal e Um milhão de views: o rap mostra sua grandeza (O Brasil está em disputa).

Postado por Descompasso em 26/12/2016, 21:42:27

Sexta feira, 23 de dezembro de 2016, daí até o domingo de natal, o rap mostrou sua grandeza: mais de um milhão de visualizações.

Sem divulgação pelos principais meios de comunicação tradicional, a prova de um paradigma que já foi quebrado, a grande rede que se articula e frui arte produzida na favela.

“Favela Vive 2”. Um clipe cru. Além da óbvia dimensão de público e espaço de mercado, é um baita manifesto contemporâneo, vem pra disputar a hegemonia política da sociedade, trazendo reflexão e mostrando a dureza da realidade nas favelas brasileiras, sem glamourização da violência. Um retrato apontando enfrentamentos.

Nessa hora um milhão de cabeças foram provocadas.

Um tiro certeiro e prenúncio do grande evento de lançamento previsto para fevereiro de 2017.

 

FICHA COMPLETA

FAVELA VIVE pt.2 (Evento de Lançamento: 03 de Fevereiro | EM BREVE informações)
Letra: Lord |BK |Funkero |DK |MV Bill
Instrumental: Indio ADL
Mixagem e Masterização: Gênio (Time Forte)
Video: G.B @contracorrenteprod
#Esfinge
#Rexpeita
#ContraCorrenteProd
#Solanoairview
Realização : ESFINGE
Direção: Guilherme Brehm (@gb_contracorrente)
Assistente de direção: Gabriel Solano
Operador de Câmera: Guilherme Brehm, Gabriel Solano e Matheus Yan
Assistentes: Brendon Bravo, Lucas Cilento, Uriel Calomeni
Operação de Drone: Gabriel Solano (@solanoav)
Produção Executiva : Thomaz Garcia
Assistente de produção: Leoni Brandão, Ted
Figurino e apoio : Rexpeita
Intervenção graffiti : Henri Schumacher

Suposta nova faixa de Linday Lohan cai na rede

Postado por Dayw Vilar em 21/12/2016, 11:22:07

Desde o começo da última terça (20), as redes sociais dos fãs de Linday Lohan não param. Uma suposta conta da artista foi criada no Youtube com uma faixa “nova”.  Há quem aposte em um retorno de Lilo para as paradas musicais, há quem diga que é só um fake, mas Walka is not a Talka é uma delícia.

Linday Lohan tem na bagagem dois discos: Speak (2004) e A Little More Personal (2005).

Linday Lohan tem na bagagem dois discos: Speak (2004) e A Little More Personal (2005).

Enquanto o motivo não é revelado, a gente tem que refrescar a memória: a faixa é de autoria de Mya e foi lançada em 2007 com o álbum Liberation. Corre a boca miúda que Lindsay gravou a letra em 2005 quando ainda tinha contrato com a Universal Motown – mesma gravadora de Mya à época – e era apenas para servir de referência.

Pesa também sobre a intenção e desse suposto lançamento o fato de que a conta oficial de Lilo no Youtube é LindayLohanDaily e não LindayLohanVEVO (formato padrão para grandes artistas como Lady Gaga e Madonna na plataforma).

Bem, enquanto ninguém dá informações oficiais, a gente faz o nosso melhor: ouvir. O hit tem participação da própria Mya e do rapper Snoopdog. Dá o play nas duas versões: