Entrevistamos Yuri Queiroga – Descompasso Rádio

Postado por Descompasso em 08/12/2016, 20:29:23

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Yuri Queiroga / Arquivo

Exímio guitarrista, compositor e um dos produtores musicais mais promissores da música brasileira, Yuri Queiroga, foi nosso convidado no Descompasso Rádio dentro do programa Ponto Musical da Rádio Jornal.

Como guitarrista do seu xodó, Radistae Surf Music, até a Orchestra Santa Massa, passando por parte das principais bandas contemporâneas de Pernambuco. Como produtor, está finaizando discos de Tibério Azul, Ylana Queiroga e Jr. Black, e em paralelo trabalhos de China e Pedro Luis.

Confira o papo rico de Yuri com Tathianna Nunes e Ismaela Silva.

De quebra, pré lançamento exclusivo da faixa, Dia Preto, (ainda em fase de finalização) com participações de Spok, Felipe S, Guga Fonseca, Enoque Chagas e Pupillo.

 

Torcida do Liverpool canta “You`ll Never Walk Alone Chape”

Postado por Descompasso em 29/11/2016, 20:59:57

Chape

Foto: Arquivo / Chapecoense

Uma das mais emocionantes homenagens às vítimas do acidente que comoveu o mundo veio do campo de jogo. No duelo entre Liverpool e Leeds, a torcida dos donos da casa, cidade natal dos Beatles, cantou sua música já tradicional, “You`ll Never Walk Alone”, de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II. Hoje, aquela massa sonora que só é possível sendo produzida por tantas vozes foi de arrepiar: “You`ll Never Walk Alone Chape”, em português: Você nunca caminhará sozinha, Chape.

Tradução livre

Você nunca caminhará sozinho

Quando você anda através da tempestade
Mantenha sua cabeça erguida
E não tenha medo da escuridão
No final da tempestade
Existe um céu dourado
E o doce canto de uma cotovia
Ande através do vendo
Ande através da chuva
Mesmo que seus sonhos tenham sido jogados e perdidos
Caminhe! Caminhe! Com esperança em seu coração
E você nunca caminhará sozinho
Você nunca caminhará sozinho
Caminhe! Caminhe! Com esperança em seu coração
E você nunca vai andar sozinho
E você nunca caminhará sozinho…

Alerta Pop – Dias Gloriosos estão por vir

Postado por Dayw Vilar em 22/11/2016, 12:54:16

A melhor época do ano começou hoje (22). Um solzão maravilhoso que te dá aquela sensação de euforia carnavalesca fora de época e sem motivo. Sol em sagitário é tudo. E sim, eu sei que o blog é de música, mas nem só de referências clichezonas se faz uma coluna.

Tava esperando tempo pra ver os discos novinhos que tão saindo e finalmente ouvi o Glory Days da girlband britânica Little Mix. Saiu no último dia (18) pela Syco e Columbia Records. Poucas coisas que você precisa saber sobre elas antes de entender a bolacha:

– Elas são cria do X Factor UK, surgiram em 2011 e caíram nas graças do público e jurados;

– Sim, o Reino Unido é uma excelente fábrica de girlbands. Haters gonna hate mas é verdade;

– Elas fazem pop radiofônico e mainstream, mas é tão bem feito que você vicia;

– Essas são elas. Sejam gentis:

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O disco teve inúmeras prévias. Elas já apresentaram sete (!!!) singles. Meio que entregaram o peixe todo de uma vez, né!?

Mas vale destacar “Shout out to my ex”, lançado há mais de três semanas e liderou as paradas britânicas. Os discos anteriores do Little Mix chegaram, no máximo, à segunda colocação do ranking: “DNA” (3º), “Salute” (4º) e “Get Weird” (2º) e as expectativas para Glory Days não poderiam ser melhores. Os principais críticos do mundo falam que será um dos melhores álbuns (em números e até crítica) do ano.

Tou de longe da crítica oficial da música, mas eu concordo sim. O disco tem um pouco de cada álbum anterior. Pelo som, pode ser similar com o Get Weird, inclusive. São ótimos discos e em termos técnicos, não é absurdo falar isso. Os beats eletrônicos e sintéticos se misturam com pop, soul, R&B e tem bastante dos conhecidos breaks depois do refrão-chiclete.

Perrie Edwards, Leigh-Anne Pinnock, Jesy Nelson e Jade Thirlwall entenderam seu lugar no mercado e para o seu público. Quando as grandes divas abriram espaço no dancehall, elas entraram e enviaram um RSVP para bater cabelo e dançar até os pés não aguentarem mais. É tipo aquele convite infalível para um happy hour na sexta à noite. É aquela dica do amigo sagitariano animadíssimo que quer te salvar da bad. Glory Days é joia!

 

 

Ôh, paixão danada! Do beat pra sanfona, como eu me entreguei ao autêntico pop nacional em uma volta de 15 minutos.

Postado por Descompasso em 16/11/2016, 0:18:23

Por Dayw Vilar

Simone e Simária/Divulgação

Simone e Simária/Divulgação

Estamos um tanto acostumados a encontrar no rótulo indústria pop sons mais sintéticos e com padrões internacionais. Poucas são as cantoras que ganham o mundo cantando outra língua que não o inglês. Quando latinas, suprem uma parcela mínima. E quanto ao pop nacional, bem… a gente vai pra um lado, vai pro outro, tenta se enganar e não encara fenômenos da música como eles devem ser.

“Não sei se dou na cara dela ou bato em você…”. Peguei um carro pelo Uber essa semana, a motorista era uma mulher. Dona Márcia era seu nome. Falava mais do que eu e foi logo contando que tava amando ouvir as divas Maiara e Maraísa, Nayara Azevedo e Simone e Simária. “Música com mulher tem mais alma, e elas cantam demais, você deveria ouvir. Posso deixar tocando?”. Eu não gosto de cortar vibe de ninguém, e fui. E foi bom. As moças citadas são alguns dos nomes que ascenderam em 2016 na novíssima safra de um dos mais autênticos gêneros populares do país, o sertanejo. E elas vêm com um discurso forte.

Não é nada pinçado como foram as irmãs Galvão, Inezita Barroso, Sula Miranda, Eliane ou a Paula Fernandes. Vieram num comboio e tomando conta dos rádios no interior, disputando palco com nomes de pelo como Cesar Menotti e Fabiano, Bruno e Marrone, entre outros.

Eu sou fã de Madonna, de carteirinha, de saber as músicas de cabo a rabo, etc. Tenho problemas em gostar de gêneros como pagode e o que costumam falar que é forró (Wesley Safadão e esses enlatados que pautam nas letras coisas ínfimas e posições machistas intragáveis, ou letras vazias que é a grande maioria). Por essas e por outras desculpas, eu não consumo muito da música produzida no país. Meu ouvido dói. Porém, todavia e entretanto, coisas lindas costumam acontecer do nada com a gente.

O local de cantor homem sertanejo, que cantava a dor, o amor, a vida de gado ficou muito para trás. A vez é delas. Cantam a independência da mulher, o direito de serem Botequeiras, de saírem para a farra, de sofrerem, de mandarem os homens para a casa do chapéu… Saíram do locus de inferioridade, cantadas como fazedoras do sofrimento, motivo para a cachaça, donas dos corpos e formas exuberantes e assumiram seu poder.

O arsenal de produção, as letras, os arranjos e os vocais são surpreendentes. São mulheres, feito dona Márcia, que ocupam lugares moldados pela sociedade machista como territórios masculinos. Elas são envolventes. Têm muito talento. Sensibilidade extra e uma música de alto nível. E tem mais, o brasileiro no geral é um pândego romântico e ama uma sofrência!

A corrida com dona Márcia serviu para provar o que já estava na cara: lugar de mulher é onde ela quer. E se a gente quer falar sobre elas, temos que perguntar pra elas! Foram os quinze minutos mais felizes da semana!

Têm playlists e mais playlists, do Youtube ao Spotify. Não deixem de ouvir todas, certeza que uma vai abocanhar seu coração! Abaixo minhas preferidas!

 

 

Cyn! Para delírio dos fãs, Rua fará novo show nesse sábado.

Postado por Descompasso em 03/11/2016, 19:49:23
Para delírio sim. Rua é o nome de uma das bandas mais autênticas surgidas em Pernambuco nos últimos dez anos.
Foto Flora
Rua / Foto: Flora Pimentel
Depois de nove meses longe dos palcos, mergulhada na produção do seu terceiro álbum, “Queda”, a banda fará apresentação neste sábado, 05, na A Casa do Cachorro Preto. De quebra, para completar a programação da festa, “Cyn”, será uma oportunidade rara de receber outra expoente da música brasileira contemporânea, a gaúcha, Duda Brack, e botando som, o bom gosto e peso de Vinicius Lezo.
Na galeria da Casa, exposição de Raoni Assis, Erro.
A Rua vem completa  e fará apresentação inédita de quatro canções do novo disco que virá. Contará também com participação especial de Isadora Melo, Gabriel Barbosa (Duda Brack) e Gabriel Ventura (Ventre).
Não dá pra perder. No repertório, músicas dos dois discos lançados até então, Limbo, e Do Absurdo. Fica a expectativa pra saber se eles vão tocar o clássico: “Rainha da Bateria”.

 

Serviço:
Onde: A Casa do Cachorro Preto – Olinda (PE)
Início: 16h
Quanto: R$ 15
Quando: 05/11/2016 (Sábado)

Hey Girl, I`m Sorry – Alerta Pop por Dayw Vilar

Postado por Descompasso em 25/10/2016, 21:14:12

Hey girl, I’m sorry

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A gente comete muito excesso às vezes, e erra. Eu sou sagitariano, literalmente, igual nas descrições de horóscopos e estudos de astrologia. Bem visceral e com os dedos e língua soltos demais.

Daí que eu vinha muito empolgado com essa onda de lançamentos de discos pop. Gaga lançou a frenética-meio absurda-que faz a pista ter sentido Perfect Illusion e trouxe um disco misturado. Joanne chegou ao mundo esta semana e eu já fui lá no meu perfil do Facebook atacar de sommelier de diva pop para taxar que foi uma bolacha que deu sono. Errei. Mesmo.

Vamos aos fatos. Com as devidas vênias, bora parar de brincar de rótulo. Tipo, é 2016 e a indústria, como reflexo da vida, não permite isso se quisermos participar e nos integrar como pessoas. Gaga fechou o tempo com The Fame, pegou a crista da onda em The Fame Monster, detonou muito num disco sensacional que foi o Born This Way. Aí pecou no peso da mão com os acordes e arranjos, e a comunicação também, do ArtPop.

PAM. Saiu um rock. Perfect Illusion levantou os charts. Todo mundo tava olhando pra ela, que anteriormente tinha se destacado fora da música (Emmy Awards de Melhor Atriz Coadjuvante pela série American Horror Story em 2015) e pelo Grammy arrebatado com o Cheek to Cheek (parceria brilhante com Tonny Bennet).

 

Na comodidade de esperar um disco de pista, de balada, a gente erra quando continua esperando que as pessoas não mudam. Gaga arrebentou o pop. Provou que era uma cantora versátil fez participação no show dos Rolling Stones, arrasou. Gravou um álbum inteiro com releituras do jazz com o ícone Tonny Bennet, arrasou de novo. Quis provar que era boa atriz, venceu. Ela teve, como nós todos temos em algum momento, escolhas equivocadas e erros no caminho – tipo, muitos (inclusive eu) não entendemos a efusão de emoção e conceitos na homenagem que fez ao Bowie.

Mas naõ se pode negar que ela tem expertise e sabe cantar. Joanne veio aí para provocar . Gaga quer que olhemos com atenção para a música dela. Hoje foi um dia hard e eu fui ouvir com mais calma. Tem rock, tem um pop com plástica nova, tem country, tem um dueto inesperado com Florence Weltch, tem muito de uma nova personalidade, ou dela sem novidade, sem aquelas fantasias e truques de moda. Sites de fofocas falam que ela sofreu com o rompimento de um relacionamento. O próprio nome do disco é uma homenagem póstuma a uma tia querida. Tem muito da Stefani Germanotta ali, que muitos não conheciam e na loucura dos excessos estéticos da Lady passou desapercebido. Tem muita sensibilidade.

A Era do Pop passou, ela se perdeu no brilho da pista, se achou como cantora, se descobriu artista e voltou para uma música que condiz com seu sentimento.

Não podemos nunca esquecer que música de verdade é isso. E tem que ter verdade. A música nova que ela fez faz sentido pra ela. Tem a alma dela e deve ser respeitada. Temos que nos despir muito e nos desconstruir bastante, e todo dia, sobre os preconceitos das nossas cabeças. Desculpa, mulher, eu te subestimei. Não dá para citar e analisar música por música, mas se permitam ouvir Sinner’s Prayer com carinho. O segundo single se chama Million Reasons, visceral, e o seguinte, A-YO, de boa levada. Prestem atenção nas músicas e vejam os artistas pelas almas e não pelos rótulos. #justiceforJoanne

Joanne é o quinto álbum de estúdio de Lady Gaga, chegou ao mundo três dias antes do esperado e passa bem. Não adianta falar do disco e correlacionar com nomes bonitos, correlacionar com plásticas de cinema ou outros cantores só pelo close de escrever uma crítica. Dessa vez, sentemos todos e ouçamos com generosidade.

 

* Dayw Vilar é pesquisador e crítico musical e assina a coluna “Alerta Pop” no Descompasso

 

Entrevista – Academia da Berlinda apresenta: Nada sem Ela. Descompasso Rádio.

Postado por Descompasso em 23/09/2016, 16:08:16

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Academia da Berlinda / Divulgação

Academia da Berlinda é uma uma das bandas mais autênticas da música contemporânea brasileira, e uma das mais importantes bandas pernambucanas da última década.  Eles lançaram recentemente seu novo álbum, “Nada Sem Ela”. E claro, não poderíamos ficar de fora dessa festa.

Recebemos no nosso quadro Descompasso, dentro do Programa Ponto Musical (Rádio Jornal), os músicos Alexandre Ureia e Irandê Naguê, para um papo cheio de conteúdo e descontração, além de, obviamente, ouvir e contar histórias sobre composições e parceiros, como Otto e Luiz Ribeiro, e homenagem a Lia de Itamaracá.

Imperdível. Já que, Nada sem ela, a condução ficou por conta da categoria de Ismaela Silva (Rádio Jornal) e Tathianna Nunes (Blog Descompasso).

Ouça:

 

 

José Teles lança livro de contos inspirados em música dos Beatles

Postado por Descompasso em 22/09/2016, 11:05:51
José Teles/Divulgação

José Teles/Divulgação

O jornalista José Teles lançará o livro “Acordei Esta Manhã Cantando Uma Velha Canção dos Beatles”, no Rock And Ribs, às 17h, neste domingo (25). A publicação, da Editora Bagaço, é uma coletânea de 13 contos inspirados em canções do quarteto de Liverpool e a inspiração para escrevê-la veio por acaso, ao ver fotos que uma amiga postou nas redes sociais.

O livro foi finalizado em apenas um mês já que os textos foram surgindo naturalmente e num tempo muito curto. O lançamento terá direito ao show da Revolution Band, que apresentará os sucessos que inspiraram os textos de Teles.

 

 

Várias expressões de arte produzidas por mulheres movimentam o sábado no Recife e em Olinda

Postado por Descompasso em 16/09/2016, 20:24:45

“Meu corpo minhas regras”, “Deixa ela em paz”, “Empoderamento feminino”, são expressões cada vez mais ouvidas e praticadas.

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Frida Kahlo / Foto: Arquivo

 

Se a equiparação de direitos é um tema que vem sido debatido há décadas, se a desigualdade de gênero é uma realidade, uma geração inteira de mulheres enfrenta essas questões como intrínsecas, e vão além. São protagonistas do seu tempo, se organizam e são afirmativas, refletem sua condição social e preparam as bases de liberdade para as próximas gerações. É bem possível que estejamos vivendo uma revolução feminina e é hora de ouvir e desfrutar.

As artes expressam esse momento histórico. Estratégias de economia solidária são aplicadas, o uso de tecnologias e formas de comunicação tem dado visibilidade para diversas ações e produtos, na maioria das vezes, embasadas em princípios feministas.

Neste sábado, 17, três eventos, em Boa Viagem, na Boa Vista e em Olinda, trazem muita literatura, poesia, música, moda, artes visuais e debates. E o melhor, dá para conciliar na agenda os três momentos.

 

#1 – Leia Mulheres 

Leia Muheres

O projeto foi criado pela escritora, Joanna Walsh, e está em várias cidades brasileiras. Celebrando um ano de atividades em Recife, haverá debate sobre o livro, “Aqui, no coração do inferno“, da escritora pernambucana, Micheliny Verunschk (Editora Patuá), mediado pelas jornalistas, Carol Almeida, Priscilla Campos e Maria Carolina Morais. Logo na sequência haverá um SARAU de poesias escritas por mulheres. E para fechar a noite, Carol Almeida e Priscilla Campos botam som.

Será no Texas Café Bar, Pátio de Santa Cruz, Bairro da boa Vista, começando 17h. Entrada franca.

#2 – Las Florindas – Feira Colaborativa de Empreendedorismo Feminino

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Com a ideia de agregar experiência e parceria com mulheres empreendedoras do Recife, divulgando trabalhos e uma causa: a força da mulher empreendedora. Produtos de moda, artes visuais e número musical por Sabrina Blasco.

Das 14h às 18h no Ramon HostelBar, Rua Olavo Bilac, 20, Boa Viagem. Entrada Franca.

#3 Sarau das Literárias

Mel Duarte

O Coletivo feminista, Vaca Profana, realiza o Sarau das Literatas em parceria com A Casa do Cachorro Preto, uma programação de provocação política contundente. Será uma noite para mergulhar na literatura produzida por mulheres. A escritora e poetisa paulistana, Mel Duarte, lançará seu livro,  Negra Nua Crua.

Na galeria – Curamata de Juliana Lapa + Parto de Mayra Melo.

Programação completa:

Apresentação:
Mel Duarte (Slam da Minas SP)
Leticia Carvalho (Faça amor não faça chapinha)
19:30h MIcrofone aberto
20:00h
Debate: Mulher no Mercado Literário
Na mesa: Cida Pedrosa, LuNa Vitrolira, Mel Duarte eSusana Morais
21h – Grupo Canto Criolo

Será na Casa do Cachorro Preto, Rua 13 de Maio, no Sítio Histórico de Olinda. Entrada: R$5,00. O livro, Negra Nua Crua, será vendido por R$ 25.

 

Reinado do pop em polvorosa: Gaga voltou!

Postado por Descompasso em 15/09/2016, 13:52:52

Alerta pop! por Dayw Vilar

Disco-rock, frenética, confusa e autêntica. Depois de um hiato de três anos, Lady Gaga encanta com o single Perfect Illusion.

Lady Gaga/Divulgação

Reprodução da capa de Perfect Ilusion de Lady Gaga

 

Refrão chiclete, batidas e uma levada frenética. Essa é a receita de um bom artista pop. Pincela duas melodias mais lentas e voilá, temos um bom álbum. Parece ser fácil, mas as idas e vindas da indústria musical é uma grande montanha russa e se manter de pé é tarefa para poucos.

Parecia cega no meio de tiroteio, com bom uso da expressão popular. Lady Gaga, que quebrou a indústria pop com seus hits chicletes em “The Fame” (2009), parecia ter se esgotado depois da péssima repercussão do seu último álbum, “ArtPop” (2013). A carreira já não ia bem desde o fim da turnê “Born This Way Ball”. Ganhara peso, fraturara o quadril. A última bolacha não agradou.

Três anos se passaram. Fez disco de jazz com a lenda Tonny Bennet (Cheek to Cheek), música para documentário, apresentações bem vocalizadas como o hino dos Estados Unidos no SuperBowl este ano, ou ainda a emocionante performance de “Til it happens to you” no Oscar em 2016. Fãns pediam sua volta para o pop. A descendência da carreira teve direito a todas as prerrogativas de uma superstar e parece que o hiatus acabou.

No fim do mês passado eu já tinha antecipado que ela anunciara um novo álbum para 2016. No último dia 1, ela lançou no Instagram o nome do single de reestreia, vamos chamar assim. Ouvindo seu conselheiro-mor, Elton John, Lady Gaga voltou para o básico. Mas calma, nada tão básico assim, afinal. Perfect Illusion, que chegou aos charts na última sexta (9) é co-escrita com Mark Ronson (o mesmo de Uptown Funk), Bloodpop e Kevin Parker, da australiana Tame Impala.

Parece confusa, mas é delirante. Essa é a primeira impressão ao ouvir a música. Tem um perfume das três eras que já vimos Gaga passar. É um pop sobre desilusão amorosa e a necessidade de acordar. É tipo quando você compra uma Coca-cola Zero e se sente frustrado com aquele sabor triste e precisa mudar a situação azap. Tem muita guitarra misturada com sintetizadores, lembrando um pouco a fase Born This Way. Tem muitos vocais – coisa que ela trouxe do disco Artpop. Parece uma grande explosão de som. A levada disco-pop te conquista na maravilhosa intro de 30segundos. Os vocais não são tratados, naturais até demais e isso lhe conferiu a autenticidade para a produção.

‘Tentando manter o controle’, Gaga canta, ‘A pressão começa a fazer efeito’. É dançante, um beat robótico matador, tem uma coisa punk no meio. E é confusa quando eu digo que dá para dançar no meio da desilusão amorosa. Tem horas que você não sabe se é uma música triste, feliz, paranoica ou estática. É algo que te leva pra cima e atropela ao mesmo tempo.

No more words, apenas ouçam.

E ah, durmam com essa bronca: a quinta bolacha de Gaguinha tem um dueto confirmado com Florence Weltch. Soltei e saí correndo. The bitch is fucking back!

Jogo Rápido

Britney Spears também voltou: No disco voltou bem, na verdade. Glory trouxe 17 faixas incríveis, com uma Brit repaginada e quase pronta para retomar o lugar de princesinha do pop. Mas sua fragilidade emocional não é mais desculpa pra gente aceitar a performance de Make Me no VMA, por exemplo. É disco pra ouvir e nunca pra esperar ela de volta quebrando tudo – ela só nos enganou no Billboard Awards. Parecia travada no palco e nunca vai cantar ao vivo. Voltando à bolacha, o disco é para jogar cabelo e sensualizar muito. Esqueçam o single e rebolem muito com If i’m dancing.

Novinha ft Ousada: Quem se engana com a carinha de santa de Ariana Grande nem imagina a #safadezaoculta que é seu novo single Side to Side. A canção, estrelada junto com Nicki Minaj, também apareceu na cerimômia do VMAs 2016 e deixou a gente meio atordoado – embora ela insista naquele rabo de cavalo no alto da cabeça com muita roupa e decór cor-de-rosa para fazer a ninfetinha. Poetizando o babado, é quando a gente faz muita estripulia na cama e fica sem andar direito no dia seguinte. Foi o maior auê. Tá me parecendo a Milley Cirus se livrando da era Disney pendurada na wrecking ball com a língua de fora.