Aperta o play: escute a nova música de Kim Gordon

Postado por Descompasso em 13/09/2016, 9:03:56
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Reprodução da capa do single “Murdered Out” de Kim Gordon

Kim Gordon, ex-Sonic Youth, grava há mais de 35 anos de carreira e até ontem, segunda (12/09), nunca havia lançado uma música sob seu nome. Seu primeiro single “Murdered Out” é uma pérola do melhor do noize com um groove absurdo. Parte de uma base simples de baixo que se repete e ganha corpo com guitarras e com os vocais de Gordon.

Inspirada na cultura do carro de Los Angeles, a faixa foi feita com colaboração do produtor Justin Raisen e do baterista Stella Mozgawa, do Warpaint.

Aperta o play!

Aperta o play: clipe novo do duo Radiola Serra Alta

Postado por Descompasso em 12/09/2016, 8:52:31
Radiola Serra Alta/Divulgação

Radiola Serra Alta/Divulgação

A música “Corisco” do duo eletrônico Radiola Serra Alta ganha clipe como resultado do trabalho da Oficina Videoclipe Experimental, etapa Triunfo, realizada entre os dias 08 e 12 de agosto de 2016, durante o 9º Festival de Cinema de Triunfo.

Careta e Veinha, os mascarados da Radiola Serra Alta, se duplicam e saem pelas matas de Triunfo ao som do “eletrococo muderno” do duo, um som eletrônico inspirado em ritmos da música nordestina.

A fotografia é linda, os efeitos são simples e criativos e a música é maravilhosa. Ou seja, baita clipe.

Aperta o play e desfrute!

Pai de peixes, peixão é. Ou, o clã Samico: Júlio Samico faz show de lançamento do seu álbum “Júlio Samico e o Circo Voador”

Postado por Descompasso em 09/09/2016, 16:31:07
Julio Samico faz show de lançamento do seu álbum “Júlio Samico e o Circo Voador”, a partir das 19h, com entrada gratuita e, de quebra, abertura com a banda Quarto Astral. 
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Júlio Samico – Foto: Beto Figueiroa
Júlio é poeta, compositor e professor de violão. Responsável por iniciar dois dos músicos mais requisitados de Recife, Rogério e Rodrigo Samico, seus filhos, que nas voltas que o mundo deu, acabaram se tornando dois grandes incentivadores para ele criar este álbum. E não ficou por aí. Com a experiência acumulada, assinaram a produção de um disco que dá a sensação de já ter nascido clássico.
Psicodelia, melodias, guitarras distorcidas, rock, frevo, maracatu, vocais. Tudo caminha junto em harmonia em arranjos ricos e diversos com letras contundente. São doze faixas, nove letras de Júlio.
Dentre tantas nuances boas de citar, tem  um destaque que é de se comemorar.  Foi a gravação da faixa, “Rodando”, de um dos maiores poetas da história pernambucana, Erickson Luna. As outras faixas de outros compositores são: “Joca Leão”, uma composição de Hélcio Clemente baseado num poema de Cecília Meireles; “Saindo de casa”, uma ode aos jovens que decidem enfrentar o mundo, do amigo de Júlio, Gato Breckenfeld.

Ricardo Fraga (bateria), André Sette (piano, sintetizadores e teremim), Carlos Amarelo (percussão), Júnior Kaboclo (flauta, pífano e saxofone) e Marina Silva (vocais) integram a banda que o acompanha nas gravações e no show de lançamento. No disco, também participam Spok, no sax barítono em “Pambenyl”; Isadora Melo, em dueto na faixa “Circo Voador” e Gracinha Telles em “Saindo de casa”.

Em breve traremos (esperamos) uma entrevista e matéria com Júlio Samico que tem muito o que nos contar. Por enquanto, mergulhe no disco. E, se puder, desfrute desse grande show.
Ouça

Serviço:
Show de lançamento de Júlio Samico
Quando: Sexta-feira, 9 de setembro, às 19h
Onde: Sítio da Trindade – Estrada do Arraial, s/nº, Casa Amarela
Quanto: Entrada gratuita
Banda de Abertura: Quarto Astral

Em tempos nebulosos, escute “Em Cada Verso um Contra-Ataque” de Aíla

Postado por Descompasso em 07/09/2016, 18:12:23
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Reprodução da capa “Em Cada Verso um Contra-Ataque” de Aíla

Quatro anos após o delicioso e tropical “Trelêlê” (2012), o furacão paraense Aíla volta com “Em Cada Verso um Contra-Ataque”, um disco dançante, pop, necessário, atual e politizado – da primeira à última faixa. A produção musical é assinada pelo baiano Lucas Santtana. Aliás, este disco é o primeiro de Lucas como produtor.

Lançado em agosto deste ano pelo Natura Musical, o álbum traz composições próprias, canções de outros destaques da cena e duas parcerias especialíssimas: a faixa “Melanina” foi composta por Chico César a pedido de Aíla, e “Lesbigay”, é mais uma composição com a rainha do carimbó chamegado Dona Onete.

O Descompasso conversou com Aíla sobre inspirações, cenário político, parcerias, entre outras coisas.

Descompasso: Vamos falar de inspiração? Me conta suas inspirações para este disco?

Aíla: Passei 4 anos para lançar esse novo disco, desde o primeiro, e enxergo ele, literalmente, como uma nova fase na minha vida, existe um amadurecimento natural. Nos últimos anos conheci e ouvi muita coisa nova, imergi na obra de uma banda brasileira de pós punk da década de 80, chamada As Mercenárias, uma banda só de mulheres, com letras diretas, pops, curtas, e políticas, que muito me influenciou a começar a compor. “Rápido”, o single-clipe desse novo disco, flerta bastante com essa influência. Adentrei em universos de artistas brasileiros que muito me inspiram hoje, como o pernambucano Siba, a multi-artista Karina Buhr, o grande Chico César, e o próprio Lucas Santtana. O disco tem lambada eletrônica, tem brega, tem punk, tem rock, tem dub reggae, tem uma multiplicidade de sons grande, mas tudo bem costurado com o conceito ARTvista que eu buscava pro trabalho.

Descompasso: Depois do lançamento do primeiro disco, você foi passar um tempo em São Paulo, certo? O que tem desta vivência neste trabalho?

Aíla: São Paulo é o mundo todo, né? Foi muito inspirador mudar pra São Paulo, conhecer novos espaços, fazer nova conexões e dialogar com tanta gente incrível. Em SP pude imergir e entender outras camadas das minhas inquietudes. Esse segundo disco é muito o reflexo dessa mudança sim.

Descompasso: E o que é Lesbigay!? Que música sensacional? Os arranjos e a levada me teletransportam para Belém. Você pode falar um pouco dela? Sei que é uma composição sua com a maravilhosa Dona Onete…

Aíla: Sim! “Lesbigay” é uma parceria minha com Onete, fizemos essa música pensando o ‘Lesbigay’ como um lugar que deveria ser comum, frequente – esse lugar de liberdade -, apesar de parecer, no contexto triste que vivemos hoje, um lugar idealizado. É um manifesto alegre pela liberdade de amar a quem se quer, é pra fazer dançar nossos corpos dissidentes, pra afirmar o brilho que ninguém vai fazer desaparecer. ‘Lesbigay’ – a música, ou o lugar referido na música – é onde continuaremos dançando, construindo nossos espaços de afeto.

Descompasso: Aíla, como você enxerga o papel do artista e da música neste momento que estamos vivendo no Brasil?

Aíla: Não existe neutralidade política, ou você se posiciona, ou está do outro lado. Nós somos a revolução. A arte tem papel fundamental no debate político e combate de retrocessos históricos. Nos tempos sombrios e fascistas do hoje, mais do que nunca, devemos escancarar nossas ideologias, e contribuir para a evolução deste planeta.

 Descompasso: O disco contou com produção de Lucas Santanna. Como foi trabalhar com ele? Conta a experiência?

Aíla: Quando pensamos neste novo trabalho, eu e Julianna Sá, que assina a direção artística do disco comigo, sempre imaginamos alguém fora do circuito de grandes produtores musicais brasileiros para somar. Queríamos alguma experiência nova, algum diálogo inédito. Aí logo pensamos no nome de Lucas Santtana, que é um artista eu curto demais, muito criativo, inovador, que costuma produzir seus próprios discos, e que eu já tinha um diálogo anterior. No meu primeiro disco, em 2011, ele havia enviado a música “Ela é Belém” pra mim, e quase ela entra no álbum, mas devido cronograma e prazos, acabou ficando de fora. De alguma forma, sempre tivemos conectados, seja através de ideologias, ou sons.

E trabalhar com o Lucas foi maravilhoso, nossas trocas foram infinitas. Eu sou fã dele como artista, cantor, compositor, e como agitador político nas redes sociais, sempre firme e direto. Ele é um artista posicionado politicamente, e isso, nos tempos de hoje, é necessário, urgente, e faz todo sentido pra mim.

Aíla/Divulgação

Aíla/Divulgação

Descompasso: De quem é o trabalho gráfico? Por sinal, a foto da capa do disco é lindíssima.

Aíla: A concepção visual e direção de arte do disco é assinada pela artista visual paraense Roberta Carvalho, que é um expoente brasileiro das artes, que eu muito admiro, e também minha parceira de vida. As fotos são da Julia Rodrigues, querida amiga e super talentosa. Sou muito ligada ao visual dos trabalhos, pra mim, música é imagem também. Neste disco, meu desejo era aliar arte e política, e por isso sempre imaginei o figurino como umas das peças fundamentais desse diálogo também. Convidei um expoente da moda do Pará, o Vitor Nunes, que é do interior do Estado, e supercriativo, para ajudar neste conceito. Ele conseguiu traduzir lindamente, através de uma máscara com cacos de vidro e lagrimas com pregos, a força e vigor para a capa do disco.

Descompasso: Quem não conhece muito bem a nova geração da música paraense. Quem você indica?

Aíla: O Pará é muito conhecido musicalmente pelo lado tropical, que contagia quem ouve. Nessa estética tropical, eu indico o Félix Robatto, que desde a banda La Pupuña flerta com o surf music e a guitarrada. Quem curte eletrônico, pista, e muita criatividade, eu super indico ouvir o duo Strobo, eles são feras e sempre trazem novidades. Pra quem é do Rooock, a diva master é a Sammliz, que está lançando um novo disco esse mês, muito bom. Pra quem curte ativismo, rimas fodas, e muita atitude, tem que conhecer o MC Pelé do Manifesto. Ele é maravilhoso, necessário.

Descompasso: Qual o melhor momento para escutar “Em cada verso um contra-ataque”?

Aíla: Como o refrão já diz: “Então eu canto, canto, canto, mas não se engane, em cada verso há um contra-ataque / Então eu danço, danço, danço, mas não se engane, em cada passo há um contra-ataque”. Esse é um disco pra se jogar, bater cabeça, dançar, gastar a sola do sapato, risos, mas não se engane, os versos sempre trarão contra-ataques necessários pro hoje.

O disco está disponível neste link para download e streaming no site do Natuta Musical. É apertar o play e cair no som de “Em cada verso um contra-ataque”

 

 

Academia da Berlinda faz pocket show na próxima Feira de Vinil da Passa Disco

Postado por Descompasso em 29/08/2016, 19:15:46
Academia da Berlinda/Divulgação

Academia da Berlinda/Divulgação

Muita coisa boa em um lugar só! Neste sábado, 03, às 15h, a Passa Disco promove mais uma edição da sua famosa Feira de Vinil. A novidade desta vez é o pocket show acústico da Academia da Berlinda que lança seu novo e chamegante CD “Nada Sem Ela”. Ao todo, 15 expositores participam da feira que conta também com a participação especial dos Djs Nego Nu e Patrick Tor4.

No local, será possível comprar, vender e trocar discos.

SERVIÇO: Feira de Vinil da Passa Disco

Onde: Loja Passa Disco (Shopping Sítio da Trindade – Estrada do Encanamento, 480 – Parnamirim)

Quando: 03 de setembro de 2016 (sábado) Hora: a partir das 15 horas

Entrada: Gratuita

Mais Informações: 32680888

Antes Que Suma, vamos?

Postado por Descompasso em 26/08/2016, 9:32:59

Além da verdade fazer o que dá pra fazer
Desabotoar, tirar o sapato e se alongar
Aceite que é só pelo lado do financeiro
Contra toda a diversidade que sempre existiu aqui

Exclusivo, excluído é quase o mesmo

Empreender, desenvolver pesa mais que o amor
É um poder que destrói e constrói a seu favor
Não quer saber do antigo

Dos guardados das memórias, só do umbigo
Andando perdido você ouvir de alguém que o mundo foi mais bonito

As estrofes acima fazem parte da música, “Me Encantei Por Rosário”, da Mombojó, de autoria de Felipe S. 

Nesse sábado (27), às 19h,  acontecerá o lançamento do site “Antes que Suma”, do jornalista Jota Nogueira. O local não poderia ser melhor. Será na Casa de Máquinas que fica na Rua José de Holanda, 295, Bairro da Torre.

Recife é uma cidade com vocação libertária e é cada vez maior a apropriação e luta da população pelo direito à cidade. Na outra ponta, a pressão pelo desenvolvimento da construção civil estica uma corda onde ainda engatinhamos para encontrar um equilíbrio harmônico.

Para conhecer e refletir sobre esse fato novo –  “Antes que Suma” – sugerimos um passeio ouvindo música. Uma seleção feita pelo próprio Jota Nogueira em parceria com o nosso blog.

Jota fazia (e faz) a maioria dos seus trajetos a pé.  Ele é jornalista, morador do bairro da Boa Vista, centro do Recife. Incomodado com o crescimento imobiliário voraz e com as edificações que tragavam casas históricas, modificando paisagens, violentando lugares e árvores, resolveu começar um registro de construções “com óbvio valor arquitetônico e importância histórica, mas que enfrentam todo tipo de desrespeito”, define.

De uma fotografia despretensiosa de um casarão e um post no Facebook, surgiu algo que se tornou uma comunidade com mais de 12 mil membros em pouco mais de um ano: Antes Que Suma.  A comunidade virou um verdadeiro fórum de debates, denúncia, de colaboração onde surgem registros das mais variadas construções e depoimentos que, de certa forma, fugiram ao controle.

 

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Jota Nogueira/Divulgação

Jota contextualiza. “Seria uma espécie de álbum fotográfico virtual pro futuro. Antes que desaparecessem por completo, os imóveis seriam “guardados” em fotos, com dados sobre localização (rua, bairro, vizinhança) e, sempre que possível, com a história e estilo arquitetônico informados. Mas a proposta foi ampliada. Os leitores apontaram novos caminhos: denúncia, protesto, desabafos, declarações de afeto, lembranças e lamentos relacionados a lugares, casas e construções que fazem ou fizeram parte da memória, da formação da identidade.”

“A página virou uma tribuna e canal para muitas manifestações. Agora, vira site. Entra em nova fase. O conteúdo e as fotos estarão de fato num banco de dados menos volátil que o Facebook. E, creio, as possibilidade de interação serão maiores.”

O momento é oportuno. O debate sobre preservação e direitos urbanos tem cada vez mais influenciado as artes e a disputa política nas grandes cidades.

A banda soteropolitana, Baiana System, fala no disco “Duas Cidades” (2016) da segregação social expressada nas realidades discrepantes das condições de moradia e direito à cidade, dentre outros aspectos. O filme “Aquarius” de Kléber Mendonça Filho, que tem lançamento previsto para o próximo primeiro de setembro, também trata dos temas “preservação” e “especulação imobiliária”, onde a personagem central, Clara, interpretada por Sônia Braga, luta pela preservação do último casarão antigo (fictício) na Avenida Boa Viagem.

Para o arquiteto e urbanista César Barros, o site Antes Que Suma tem um caráter pedagógico, pois lança luz sobre prédios históricos que estão incorporados a paisagem e a partir dessa ferramenta desperta o interesse, e o consequente cuidado da população com construções que tem valor de memória.

 

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Foto: Casa Navio/Arquivo site Fotos Antigas – (*Leia nota no final da matéria)

 

César observa que “os conceitos de preservação e patrimônio quebraram o paradigma elitista. Não é uma banca de notáveis  que define o valor histórico e social de uma construção, mas sim, além da técnica, da forma e da época, o uso e o valor de pertencimento que as pessoas tem.”  Alerta que para além das construções em si, a convivência com o meio e a ocupação dos espaços são fundamentais como valor agregador para se considerar patrimônio.

Como exemplo, cita o Bairro do Recife, conhecido como Recife Antigo, um bairro inabitado, exceto pela comunidade do Pilar, e moradias pontuais espalhadas, que tem casarões seculares abandonados, sem função social e econômica, e que o poder público deveria estimular o uso dessas casa para fins de moradia, pois dessa forma a economia e a vida noturna do bairro tomariam outra dimensão, o bairro ganharia vida.

Ocupe

Foto: Arquivo/Direitos Urbanos

O que há de mais emblemático na história recente do Recife em termos de luta política urbana e direito à cidade, é o movimento Ocupe Estelita, oriundo do movimento Direitos Urbanos, que luta para manutenção da paisagem e outro destino para toda a área do Cais José Estelita, mais que isso, confronta o modelo de desenvolvimento urbano que impõe o lucro com princípio norteador.

A  organização popular impediu a conclusão das demolições e os avanços das obras do chamado projeto, “Novo Recife”, que previa a construção de 14 espigões para pessoas de alto poder aquisitivo. Ainda transita na justiça. O movimento resiste pois exige exatamente outro uso, outra preservação: Antes que Suma.

Mais músicas para ouvir

Aruitetua de Vertigem – China

Me Encantei Por Rosário – Mombojó

Rua Ramalhete – Tavito

Casinha Branca – Gilson

*Na Avenida Boa Viagem nº. 400 no Recife, Pernambuco, existiu uma curiosa casa no formato de navio, construída em 1940, a casa pertencia ao empresário Aldemar da Costa Carvalho com arquitetura semelhante ao navio Queen Elizabeth, com sala de reunião, quartos, suítes, salão de jogos, cinema, restaurante e até uma cabine de comando com todos os equipamentos originais de navio. A casa virou cartão postal, e foi filmada pela Metro Golden Meyer, de Hollywood, e hospedou diplomatas e até presidentes. Foi demolida em 1981, para a construção de um edifício. (Fonte: Blog do Generoso)

Sem censura: trilha de Aquarius está disponível no Spotify

Postado por Descompasso em 24/08/2016, 22:21:08
Sônia Braga em cena de "Aquarius", filme de Kleber Mendonça Filho.

Sônia Braga em cena de “Aquarius”, filme de Kleber Mendonça Filho.

Apenas quem tem mais de 18 anos – fica aqui o nosso registro do absurdo da censura –  poderá desfrutar “Aquarius”, do cineasta Kléber Mendonça Filho, nos cinemas em breve. Sua estreia nacional está prevista para 1º de setembro. Enquanto isso, os ansiosos para ver Sônia Braga na pele de Clara podem entrar no clima do longa com a trilha sonora que já está está disponível no Spotify.

Esta trama que fala de fala de memória, história, resistência e especulação imobiliária é levada ao som de uma coletânea cuidadosa, envolvente, maravilhosa. Alcione, Gilberto Gil, Reginaldo Rossi, Ave Sangria, Altemar Dutra, Mateus Alves, Taiguara e Queen são alguns dos nomes que embalam a luta de Clara contra as investidas de uma construtura que pretende demolir o prédio em que vive e guarda lembranças, histórias. Clara é o último obstáculo, a única moradora do fictício edifício “Aquarius”, último de estilo antigo na beira mar do bairro de Boa Viagem, no Recife.

Aperta o play e desfrute.

OSCAR – A escolha do crítico Marcos Petrucelli para integrar a comissão responsável por escolher o filme brasileiro que pode disputar o prêmio americano está mostrando a união da classe cinematográfica brasileira. Petrucelli criticou duramente o diretor Kleber Mendonça Filho por conta do protesto da equipe de “Aquarius” em Cannes. A escolha controversa do jornalista fez com que o diretor Gabriel Mascaro retirasse seu longa “Boi Neon” da disputa ao Oscar. Tudo em nome de uma disputa limpa. Em seguida foi a vez de Anna Muylaert retirar candidatura de “Mãe Só Há Uma”. “Achamos que este é o ano de Aquarius”, disse a cineasta.

#RIPGeneton – Caetano Veloso fala da sua grandeza.

Postado por Descompasso em 23/08/2016, 10:23:59

Geneton Moraes Neto morreu jovem, aos 60 anos, nessa segunda (22), no Rio de Janeiro. Geneton foi um dos jornalistas mais importantes da história da comunicação no Brasil. Fez entrevistas históricas com políticos renomados, artistas, atletas e com as mais variadas personalidades, dentre elas, o assassino de Martin Luter King. Chegou aos quatro cantos do mundo e teve encontro com Woody Allen, por exemplo.

 

Muitos dos seus trabalhos renderam livros e documentários. Para a música, deu sua maior contribuição dirigindo o documentário “Canções do Exílio”, uma preciosidade. Nele, Genetou entrevistou e esmiuçou o ambiente em que viviam brasileiros fora do país no período da ditadura como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jardes Macalé e Jorge Mautner.

Dentre vários depoimentos após  notícia de sua morte, destaca-se o texto forte que Caetano Veloso publicou no qual descreve sua admiração e a grandeza do jornalista natural de Recife:

“Geneton era um repórter adolescente quando o conheci. Gostei dele imediata e imensamente. Depois, fiquei tão impressionado com a honradez que ele demonstrou ao publicar nosso diálogo (eu tinha dito alguma coisa que soaria picante se fosse usada por um jornalista ordinário, e ele, tendo entendido o sentido respeitoso com que foi dito o que eu disse, nem publicou a frase arriscada), fiquei mesmo tão grato à sua grandeza que, para deixar para trás um período de dois anos em que me recusava a conceder entrevista a qualquer veículo da imprensa (muita agressão gratuita e muita inverdade oportunista se lia nas páginas dedicadas à música), escolhi falar com ele, e só com ele, para reiniciar um diálogo normal com a confusão dos cadernos B. A impressão que o garoto pernambucano me causara e a percepção de sua inteligência honesta só fizeram crescer ao longo dos anos. Se o jornalismo brasileiro tem algo de que se orgulhar, Geneton o representa melhor que ninguém – se não for exemplo único. Eu o adorava. Fiquei tristíssimo hoje ao saber que ele tinha morrido. Eu nem sabia que ele estava doente. Como disse Fernando Salem, essa é “a notícia que mata a notícia. Quando morre um verdadeiro jornalista a verdade fica triste”.

#RIPGeneton

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Geneton e Caetano em entrevista para o Diário de Pernambuco em 1971.

Todos por Erasto Vasconcelos: A hora é essa

Postado por Descompasso em 22/08/2016, 19:05:37

Erasto Vasconcelos, querido, levou, nos deu um susto. Passou. Pertinho de completar 70 anos sofreu um infarto. Para alívio da família e da legião de seguidores, passa bem.

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Erasto Vasconcelos/Divulgação

 

Músico, percussionista, jazzista, mentor, embaixador de Maranguape, irmão de Naná, e porque não, sexto membro da Banda Eddie. Ele que desde a década de 70 ecoa pelo mundo quando gravou com Hermeto Pascoal e Márcio Montarroyos, mas precisamente em 1977, quando morava em Nova York. ressoa pelo mundo quando.

O que ocorre é que ele terá que lidar com as consequências, promover uma mudança de hábitos e um tratamento a base de medicamentos. Os custos são altos e nosso mestre recebe a primeira corrente de solidariedade em evento: A Hora é Essa! A festa pra Erasto será neste sábado (27) e a renda será revertida para apoiá-lo nessa nova fase que a vida apresenta.

A ideia partiu de seus colegas e amigos, dentre eles, os músicos Irandê Naguê, Fábio Trummer, Rogerman e Alexandre Ureia, o produtor musical, Berna Vieira, e o escritor, Beto Azoubel, que fez o tocante texto de apresentação do evento.

 

 

 

Erasto Vasconcelos, patrimônio histórico da nossa humanidade

Por Beto Azoubel

As marés da vida sempre me trazem a lembrança um ótimo texto do artista e sábio japonês Katsushika Hokusai, escrito às vésperas dos seus 80 anos – quem nunca o leu, não cometa mais esse pecado: http://dicotomicofontoura.blogspot.com.br/2009/03/hokusai.html. Não foi diferente no último dia 12 de agosto, por ocasião dos 70 anos do músico e poeta Erasto Vasconcelos. Imaginem cá comigo vocês: se para a genialidade de Hokusai foram necessários 73 primaveras para se aprender “um pouco sobre a verdadeira estrutura da natureza, dos animais, das plantas, das árvores, das aves, dos peixes e dos insetos”, o que dizer do percussionista de Sítio Novo, que antecipou tal estágio em alguns anos?! Nosso menino prodígio, foi o que pensei.

Porém, poucos dias antes de atingir a respeitável marca dos 70, Erasto sofreu um infarto. Susto-hospital-apreensão. Passada a trindade, ufa!, nosso jovem preto velho doido genial (os vagões de adjetivos são de Paulinho do Amparo) já se encontra em repouso na sua casa. Nada de cigarros e mais um tanto de coisas cabíveis numa vasta e perversa lista de proibições. Pior um pouquinho: remédios, seus riscos de efeitos colaterais e os preços abusivos de nossa indústria farmacêutica.

Como para solidariedade não há contra-indicações, um grupo de amigos, para ajudá-lo nas despesas com os medicamentos, resolveu promover a festa “A Hora é Essa – Feijoada para Erasto”. Será no dia 27/08, sábado, no Casbah, ali no Carmo (Rua 27 de Janeiro, N°7), Olinda. Com módicos R$ 10,00 você terá direito a um prato daquela que é a nossa mais tradicional culinária e, o mais importante, contribuirá na preservação do “Farol de Olinda” da música brasileira. Vamos lá, tal como a velha Marim, Erasto é patrimônio histórico da nossa humanidade!

Playlist de domingo: Indie Disco 90’s

Postado por Descompasso em 21/08/2016, 11:41:31
Viviane Meneses/Divulgação

Viviane Meneses/Divulgação

Nesta quinta, 25, a Indie Disco volta a animar as pistas de dança depois de quatro anos! A festa, que volta à pedidos de apaixonados pela música indie, está marcada na Rouge a partir das 21h. Para entrar no clima da festa, a Dj Viviane Meneses preparou uma playlist especial do que iremos encontrar na pista. Pode calçar o All Star e bater cabeça! Teremos The Hives, The Faint, Foo Fighters, The Dandy Warhols e muito mais!